Amazonas recebe novas aeronaves para reforçar combate aos incêndios florestais no estado

Ao todo, quatro aviões especializados e dois helicóptero foram enviados neste sábado (10/10) pelo Governo Federal e mais duas aeronaves devem chegar nos próximos dias

O Amazonas recebeu, neste sábado (10/10), o reforço de seis aeronaves para intensificar as ações de combate aos incêndios florestais em todo o território estadual. A frota foi enviada pelo Governo Federal, por meio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em resposta direta à solicitação do Governo do Estado para conter o avanço das queimadas.

A estrutura aérea que passou a integrar as operações inclui quatro aviões especializados no lançamento de água e dois helicópteros. Entre os modelos recebidos estão três aeronaves Air Tractor AT-802, com capacidade para transportar 3 mil litros de água cada, e um Air Tractor AT-502, capaz de carregar 1.800 litros. Todos os quatro aviões possuem autonomia de quatro horas de voo, o que amplia significativamente o raio de alcance das equipes no combate a focos de incêndio em áreas remotas.

Além dos aviões de combate direto ao fogo, a operação conta com o apoio de dois helicópteros dedicados à logística e ao suporte das equipes de campo, utilizados para o transporte rápido de brigadistas e envio de suprimentos para regiões de difícil acesso terrestre.

Nos próximos dias, a frota aérea de combate aos incêndios no Amazonas será ampliada com a chegada de mais duas aeronaves, garantindo maior abrangência e capacidade de resposta no enfrentamento aos focos de calor na região.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleiso Muniz, destacou a relevância das aeronaves recebidas para o avanço das operações no interior.

“Estamos recebendo o apoio do Governo Federal, em uma articulação do governador Roberto Cidade junto ao presidente Lula. Nós estamos fazendo um enfrentamento muito qualificado em todo o estado do Amazonas, contudo, nós percebemos um aumento significativo de focos de incêndio em locais onde somente o combate com aeronave era possível. Nesse sentido, nós fizemos um pedido ao Governo Federal, então recebemos hoje algumas aeronaves que vão, certamente, com emprego operacional do Corpo de Bombeiros, ajudar a fazer esse enfrentamento a esses focos de calor em áreas de difícil acesso”, ressaltou.

No dia 18 de setembro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMA) enviou ofício ao Governo Federal, solicitando entre outros apoios o envio de aeronaves para atuar no combate a incêndios florestais em áreas isolada se de difícil acesso.

O secretário da Defesa Civil do Amazonas, coronel Mauro Freire, ressaltou que os aviões serão fundamentais para reforçar o trabalho que já está sendo realizado pelo Estado.

“Isso reforça a capacidade de combate a estes focos de incêndio que ocorrem em vários locais. Vale ressaltar que o Estado tem a dimensão de uma confederação e, devido a isso, há necessidade de atuação em múltiplos locais. Com estas aeronaves, o planeamento tático e operacional para o combate aos incêndios será fortalecido”, pontuou.

Atuação integrada

A iniciativa soma-se às ações do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec), que atua de forma técnica e integrada no monitoramento da fumaça e dos focos de queimada nos municípios mais afetados. A atuação conjunta possibilita direcionar recursos com precisão e acompanhar a evolução das ocorrências em tempo real.

Por meio do CBMAM e da Defesa Civil do Amazonas, o Estado já tinha passado a contar com uma aeronave especializada Thrush S2R-510, que tem capacidade de transportar e lançar até 1.930 litros de água por operação e possui autonomia de voo de cerca de 3,5 horas.

O CBMAM também expandiu sua presença no interior, fazendo com que o número de municípios com bases permanentes saltasse de 11 para 25 entre maio de 2025 e maio de 2026. Com o primeiro concurso público realizado em 11 anos, o efetivo passou de 692 para 1.651 militares. Atualmente, cerca de mil servidores e brigadistas estão empenhados na Operação Amazonas+Verde, que atua diretamente em 33 municípios, com viaturas equipadas e capacidade operacional reforçada.

Na sexta-feira (09/10), a operação Tamoiotatá realiza ações de campo voltadas ao enfrentamento de ilícitos ambientais, com intensificação na Região Metropolitana de Manaus e ampliação da presença das equipes nos municípios de Manaquiri, Autazes, Careiro Castanho e Careiro da Várzea.

A Operação Tamoiotatá começou em 23 de fevereiro de 2026, antecipando as ações de campo para o período de estiagem e abrangendo 13 municípios. Entre 1º de setembro e 8 de outubro de 2026, foram identificados 782 focos de calor no estado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Como parte das medidas preventivas, o Governo do Amazonas também estabeleceu, por meio do Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, o período proibitivo para o uso do fogo por 120 dias em todo o estado, ressalvadas as exceções previstas na legislação. O Decreto Estadual nº 55.338 instituiu o Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Amazonas (PPCDQ), que reúne medidas para reduzir o desmatamento, as queimadas e a degradação florestal, além de promover a recuperação ambiental e a conservação dos recursos naturais.

O o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) seguem com as atividades de combate aos incêndios e fiscalização do uso irregular do fogo. As equipes estão distribuídas em dois eixos: Iranduba, Manaus, Manacapuru e Novo Airão; e Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Silves, Itapiranga e Itacoatiara.

As fiscalizações são direcionadas por dados de monitoramento, focos de calor e ocorrências identificad as em campo. O órgão utiliza drones e viaturas equipadas com internet via Starlink para ampliar a atuação em áreas com baixa cobertura de telefonia. Quando constatadas infrações, são aplicadas as medidas administrativas previstas na legislação, incluindo multas e embargos.