A Produtora Brasileira, a Yamaha e o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) realizam, no dia 28 de outubro, às 19h, no Teatro Amazonas, o lançamento oficial da série documental “Amazônia”. Viabilizada com patrocínio da Yamaha por meio da Lei do Audiovisual, a produção acompanha o fotógrafo documental Luciano Candisani em três territórios e cadeias produtivas que ajudam a traduzir um dos principais desafios contemporâneos: conciliar conservação da biodiversidade, adaptação climática, geração de renda e qualidade de vida para as populações amazônicas.
Em três episódios de 26 minutos, a série aborda o cacau nativo e a organização de uma cadeia de valor junto a comunidades ribeirinhas; a castanha-do-brasil e os efeitos concretos das secas severas sobre o extrativismo; e o manejo sustentável do pirarucu em Mamirauá, construído a partir da combinação entre pesquisa científica e conhecimento tradicional. Mais do que apresentar a Amazônia como paisagem, a produção investiga mecanismos econômicos, sociais e científicos capazes de manter a floresta em pé.
“Quando a gente fala de desenvolvimento sustentável da Amazônia, geralmente pensamos na natureza. Mas esquecemos que 29 milhões de pessoas vivem na região amazônica”, destaca Silvia Rucks, coordenadora residente da ONU no Brasil, em trecho da série.
A dimensão humana destacada no documentário coincide com a abordagem adotada pelo Sistema das Nações Unidas no Brasil para a região: desenvolvimento sustentável, proteção dos modos de vida e criação de alternativas econômicas precisam avançar de forma integrada. A Amazônia Legal abriga mais de 29 milhões de pessoas, e a agenda de conservação está diretamente ligada a inclusão, renda, segurança alimentar e resiliência climática.
“Se o desmatamento ultrapassar entre 20% e 25% e o aquecimento global ultrapassar 2 a 2,5 graus, nós passaríamos do ponto de não retorno”, alerta o cientista Carlos Nobre, também em trecho da produção.
A série coloca a crise climática no centro da narrativa. Na cadeia da castanha, a equipe encontra uma safra profundamente afetada após períodos anormais de seca. O episódio relaciona a redução da produção à vulnerabilidade econômica das famílias extrativistas e mostra como eventos climáticos extremos podem pressionar justamente atividades que dependem da floresta conservada.
“Nessa viagem eu consegui sentir, de fato, observar e perceber que os efeitos estão aí. E é algo que eu não tinha tido essa sensação em viagens anteriores”, relata o fotógrafo e apresentador Luciano Candisani.
Três histórias, um mesmo desafio
No episódio sobre o cacau, na comunidade de Novos Prazeres, o documentário acompanha famílias que passaram a organizar o manejo, a seleção, a fermentação e a comercialização do cacau nativo com assistência técnica. A experiência mostra como conhecimento local, qualificação produtiva e acesso a mercado podem agregar valor sem substituir a floresta por outro uso do solo.
Já na cadeia da castanha, a equipe revisita uma atividade extrativista tradicional e encontra uma realidade inesperada: pouca castanha e instalações de beneficiamento operando abaixo de sua capacidade. A quebra de safra transforma um fenômeno climático em impacto social e econômico direto sobre comunidades que dependem da floresta em pé.
Em Mamirauá, a série registra uma das experiências mais reconhecidas de manejo de recursos naturais da Amazônia. A contagem visual do pirarucu, desenvolvida a partir do saber dos pescadores e testada cientificamente, orienta cotas de captura e conecta conservação, governança comunitária, segurança alimentar e geração de renda.
“A bioeconomia na Amazônia fica muito claro que passa por uma associação entre o conhecimento das populações tradicionais e a ciência”, afirma Candisani.
Produção nacional
“Esta série, viabilizada com o patrocínio da Yamaha, está sendo doada para exibição em todo o país, de norte a sul, apresentando as belezas, a riqueza e, sobretudo, a importância da Amazônia para o Brasil e para o mundo. Nosso objetivo é transformar conhecimento científico, histórias reais e soluções que já existem no território em conteúdo acessível ao grande público”, diz Pedro Saad, produtor da série e diretor da Produtora Brasileira.
“A Amazônia ocupa um lugar especial na história da Yamaha no Brasil. Nossa presença industrial em Manaus nos permite acompanhar de perto a importância do desenvolvimento econômico aliado à conservação ambiental e à valorização das pessoas que vivem na região. Ao patrocinar esta série, queremos contribuir para ampliar o conhecimento sobre uma Amazônia que vai além de sua extraordinária biodiversidade, dando visibilidade a histórias, saberes e iniciativas que mostram como a ciência, o conhecimento tradicional e a atividade produtiva podem caminhar juntos na construção de um futuro mais sustentável”, afirma Rafael Lourenço, gerente de Relações Institucionais da Yamaha Motor do Brasil.
“A Amazônia precisa ser compreendida não apenas pela sua inestimável dimensão ambiental, mas também pela sua robusta relevância econômica e social. O verdadeiro desenvolvimento sustentável exige condições para que a floresta permaneça viva e valorizada, que as pessoas tenham oportunidades concretas e que novas cadeias produtivas gerem valor a partir das riquezas da nossa região. A série documental ‘Amazônia’, que chega a Manaus em uma iniciativa da Yamaha, cumpre um papel fundamental ao ampliar esse olhar. É justamente esse equilíbrio dinâmico entre conservação, conhecimento científico, inovação e desenvolvimento industrial que deve nortear o futuro e a agenda estratégica da Amazônia”, declara Lúcio Flávio, presidente executivo do CIEAM.
O lançamento no Teatro Amazonas reforça a conexão da produção com o território onde as histórias foram registradas. A noite terá abertura institucional, exibição de um episódio e apresentação do Grupo Gaponga, que trabalha a identidade musical amazônica com composições autorais, poesia e bioinstrumentos.